Por Alexandre MOURA (*)
Uso de IA na Odontologia
Dando continuidade a “Série” de colunas sobre o uso de IA (Inteligência Artificial) em diversas áreas, hoje escrevo, sobre o uso de IA na Odontologia. Em uma coluna recente, já discorri sobre o uso de IA na Medicina e mesmo a Odontologia se “enquadrando” nesse segmento, ela apresenta algumas particularidades que justificam uma “coluna especifica”. Com avanços tecnológicos cada vez mais acessíveis (custos diminuindo), a IA tem sido aplicada em diagnósticos, planejamento de tratamentos e até mesmo na educação e gestão de clínicas odontológicas. Uma das principais aplicações da IA na Odontologia é o “Diagnóstico Assistido por IA”. Sistemas de/com IA são utilizados para interpretar exames radiográficos, tomografias computadorizadas e imagens intraorais com alta precisão. Modelos baseados em CNNs (sigla em inglês para “Redes Neurais Convolucionais”, que podem ser definidas como “arquiteturas de IA especializadas em processamento de imagens e vídeos”) analisam padrões em imagens, detectando cáries, lesões periapicais (inflamação que ocorre na região do osso que envolve a raiz do dente), fraturas ósseas e doenças periodontais em estágios bastante precoces.
Uso de IA na Odontologia (II)
Além disso, “Redes Neurais Profundas” têm demonstrado eficácia na identificação de lesões orais malignas e pré-malignas, antecipando e aumentando a precisão diagnóstica e reduzindo erros humanos. Outro uso interessante da IA é no “Planejamento de Tratamentos Odontológicos”. Nesse caso, a IA tem sido utilizada, por exemplo, na “Odontologia Digital” (definida como o “uso de tecnologias digitais para planejar e realizar tratamentos dentários”) visando reduzir drasticamente, o tempo necessário do “planejamento de tratamentos de ortodontia, de implantodontia e protéticos”. Softwares baseados em machine learning (aprendizado de máquina) auxiliam na segmentação automática de estruturas anatômicas em imagens tridimensionais (3D), permitindo previsões mais assertivas da “movimentação dentária” e auxiliam na criação (design automatizado) de “alinhadores ortodônticos personalizados”, na previsão dos resultados de tratamentos estéticos e na realização de cirurgias guiadas com maior precisão. Otimizando assim, a posição e o encaixe dos implantes por meio de simulações avançadas. Esses avanços proporcionam mais conforto e segurança aos pacientes.
Uso de IA na Odontologia (III)
Na “Gestão e Automação de Processos Clínicos”, os sistemas de IA aprimoram a gestão de clínicas odontológicas por meio de Assistentes Virtuais, PLN (Processamento de Linguagem Natural) e análise preditiva do comportamento do paciente. “Chatbots inteligentes” podem responder dúvidas frequentes, auxiliar na marcação de consultas e enviar lembretes automatizados. Além disso, algoritmos de IA analisam dados clínicos para prever a “adesão ao tratamento”, otimizando a personalização do atendimento. A IA tem sido também, um fator importante na “Educação e Simulação Virtual” nos Cursos de Odontologia. Com a tecnologia de IA permitindo o desenvolvimento de simuladores virtuais para o treinamento de estudantes e aperfeiçoamento dos profissionais. Sistemas de realidade aumentada com IA integrada, simulam procedimentos cirúrgicos e restaurações, proporcionando uma experiência interativa e segura pelos alunos, antes da prática em pacientes reais. Esses simuladores virtuais servem também, para experimentação e testes de novos procedimentos cirúrgicos pelos Dentistas e para “calculo” do tempo necessário para cada tratamento.
Uso de IA na Odontologia (IV)
Como é possível perceber acima, os avanços do uso de IA na Odontologia são palpáveis e as perspectivas são de crescimento acelerado. Já se prevê, por exemplo, a ampliação do uso de Assistentes Virtuais e “sistemas de triagem automática” para o atendimento inicial ao paciente, otimizando o tempo dos Dentistas e agilizando o fluxo nos consultórios e clinicas especializadas. Esses sistemas podem realizar anamnese (entrevista entre um profissional de saúde e um paciente, que visa compreender a história clínica do paciente) prévia, orientar sobre cuidados básicos e até mesmo agendar consultas com base na urgência percebida. Entretanto, algumas necessidades/dificuldades já identificadas, precisam ser atendidas/resolvidas, dentre elas, a padronização de bases de dados ligadas a Odontologia, a validação clínica dos algoritmos e a adaptação dos profissionais a essas novas tecnologias. A IA tem potencial para “redefinir” a Odontologia do Século XXI, tornando os tratamentos mais precisos e acessíveis. As próximas etapas desse processo dependerão da evolução tecnologia, da capacitação dos profissionais e da integração harmoniosa dessas ferramentas à prática.
Feliz e Abençoada Pascoa!
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Engenheiro Eletrônico, Mestrado em Engenharia Elétrica, MBAs em e Comércio Eletrônico e Software Business, pela N.S. University (Estados Unidos), Curso de “Liderança Transformadora Global” pela Nova School of Business & Economics de Portugal, acionista da Light Infocon Tecnologia S/A, Diretor da LightBase Software Público Ltda, Conselheiro-Titular do SEBRAE-PB, Fundador e Membro do Conselho de Administração do SICOOB Paraíba, Ex-Presidente da Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Estado da Paraíba e Diretor de Relações Internacionais da BRAFIP.